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Meu Peito


No meu peito cabe o mundo. No meu peito cabe metade do mundo. No meu peito cabe tudo e metade de tudo. E, ainda assim, ele se guarda inteiramente para ela, sem saber que a cabeça já o fez. Quer dizer, não só a cabeça: a cabeça, as mãos e as pernas. Alugou o meu corpo, bem no meio de agosto, o mês que ignora os relógios e rasga os calendários. E o pior é que, alugou pagando pouco, entregando olhares que às vezes parecem ser para mim, e nestas vezes eu retribuo com um sorriso automático, que levanta as minhas bochechas e fecha os meus olhos. Nada mais barato que uma paixão e nada mais perigoso, sorrisos que escapam e lá estou eu, entregando as chaves do meu corpo. Bem no meio de agosto.

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