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Mudou


Acho que alguma coisa em mim mudou e eu nem sei o que é. Mas mudou. E não foi a unha que eu parei de roer ou o cabelo que eu cortei ou a espinha que estourei ontem. Foi algo mais fundo. Lá dentro, no cantinho da minha alma e no quarto de luzes apagadas do meu coração, uma vela se acendeu. Ainda não sei bem quem pegou o fósforo, tampouco o porquê. Eu só sei que ela está lá: acesa. Acesa pra vida, pra mim, pro mundo. A pouca luz que invade o meu interior e sai pelos meus pequenos poros me fez olhar o que está ao meu redor de outra forma. Mas ela me fez, principalmente, olhar pra dentro. E eu retirei todos os podres e desavenças e amarguras - do passado e do presente - daqui. A luz fez com que todos as faltas - de amor, paciência e carinho - se evaporassem. E deixou um quarto lindo e de paredes brancas dentro de mim. Os meus muros pixados foram derrubados. A minha grama maltratada foi trocada por arvores. A minha goteira de água de esgoto foi esquecida por uma enorme cachoeira translúcida que tomou conta do meu ser. Eu sei que estou usando muitas metáforas, mas se fosse pra descrever o que sinto, agora, nesse exato momento, seria exatamente assim. Nada mais me pesa os ombros. E se fico triste, logo passa. Aqui a tristeza não faz mais morada. Aqui só tem luz. Luz, luz, luz. Que recebo, crio e distribuo com carinho. Aprendi que não adianta zelar por raízes estragadas ou acumular poeira. Eu sofro de alergia. Mas não sofro mais por aquilo que não tem nenhuma luz. Entendi que o segredo do sufoco é não se desesperar, mas sim respirar calmo, como se tudo estivesse sob controle… Até que, de fato, esteja. E está.

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