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Sete Anos


Tinha uma mina que era um esquema certo. A gente sempre saia, curtia, dormia junto e no outro dia cada um no seu lado.
Não havia essa de compromisso, cobrança e todas essas coisas chatas que os relacionamentos tem.
Uma dessas noites ela estava mais calada, eu brinquei e ela não sorriu. Tinha a grana certa pro motel, mas vi que não tinha clima pra gente.
Então dei a ideia de irmos em um karaokê. Ela me olhou estranho, mas topou. Chegando lá eu fui o primeiro a cantar (uma vergonha) após muita insistência ela cantou também (outra vergonha) depois sentou do meu lado, riu e disse que as coisas estavam uma loucura. Que o chefe estava no pé dela, que as coisas em casa não estavam bem, que ela queria sumir.
Lembro que a gente conversou uma noite inteira, rimos, choramos, e pela primeira vez fomos íntimos, sem nem tirar uma peça de roupa.
Marcamos depois outros rolês, mas o motel já não era tão interessante assim. Então começamos a frequentar a mesma cama.
E já faz sete anos que eu sinto saudade de ouvir a voz dela naquele karaokê, pois há sete anos tenho que escutar ela cantando no banheiro de casa... A gente não faz ideia, mas o que mantém uma relação, o que faz com que duas pessoas deixem de ser estranhas e se tornem íntimas não é quando ambas deitam e fazem de tudo em uma cama.
É quando ambas sentam na cama e buscam resolver tudo, pra que quando o prazer acabar, o amor continue.

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