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Saudade


No primeiro momento a saudade era do seu beijo. Somente do beijo, nada mais. Depois passou a ser dos teus ombros e da gargalhada interminável, aquela que durava até você esquecer o motivo do riso. A saudade era dos domingos até lembrar que tantos outros dias eram teus, a saudade perdeu-se nas datas, e começou a ocupar as minhas férias. Perdi as férias. A saudade era do primeiro encontro que por falta de tecnologia de voltarmos no tempo se fez único e inesquecível. A saudade foi também da tua mania de comprar sapatos. A saudade, agora, sou eu por completo, tomou conta de mim, pois tudo que sinto falta me faz correr, beber, escrever e desmaiar na cama, é que o corpo sabe o quanto cansa esquecer alguém. Procuro um bar em que saudade não passe na porta, procuro o carinho de alguém que não se importa, em saber que eu morro de saudade do seu beijo, somente do beijo, e dos teus ombros, e da gargalhada, e dos domingos, e nada mais.

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