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Esse Texto


Esse texto é sobre todos os beijos que eu não te dei, é sobre todas as suas cicatrizes que eu não vi e as minhas que eu sequer te mostrei; é sobre o caminho que eu nunca vou percorrer com meus lábios em seu corpo; é sobre os meus dedos que nunca irão chegar a tocar você por baixo da armadura e também nunca tocarão a sua alma; é sobre as nossas mãos que sempre ficarão distantes de se tocarem; é sobre os sussurros que você nunca irá dar em meu ouvido e meu corpo nunca irá se arrepiar com as ondas da sua voz indo de encontro ao meu pescoço; é sobre suas mãos que sequer irão delimitar meu corpo e sequer irão descobrir o mundo enorme o qual eu escondo - o mundo que já tocaram, mas ninguém conheceu de verdade; é sobre cada lágrima sua que eu não chegarei nem perto de secar e os abraços que eu nunca irei te dar quando seu peito apertar; é sobre a sua família que eu nunca irei conhecer e os seus segredos que você nunca me contará; é sobre meus gostos estranhos por meias e maionese que você nunca entenderá; é sobre as conquistas que teremos no decorrer de nossas vidas e que não iremos compartilhar um com o outro; é sobre as suas camisas enormes demais para mim que mais parecerão vestidos nesse meu corpo pequeno, mas que passarão longe de tocarem a minha epiderme; é sobre meus segredos que você nunca ouvirá e nem saberá o quão aterrorizadores eles podem ser, meus medos idiotas que você nunca irá ouvir e não irá me fazer rir deles com suas piadas mais idiotas ainda e essa sua risada tão diferente de tudo; é sobre as provocações que eu nunca irei te fazer em lugares inapropriados, e sobre o fato de que eu nunca irei te sentir dentro de mim - nunca iremos nos tornar um só; é sobre as ligações na madrugada que eu nunca irei te fazer quando o ar fugir de meus pulmões e meu mundo desabar em forma de choro; é sobre os cafunés que meus pequenos dedos não irão te fazer; é sobre as nossas conversas que nunca passarão de amizade e a forma como você me olha mais como uma amiga do que uma possível chance de te fazer feliz em um amor romântico; mas também é sobre as nossas risadas que ainda vão se completar e os abraços sem algo a mais que vamos dar, é sobre as brincadeiras e as zoações que vamos fazer um com o outro e sobre os caminhos diferentes que vamos seguir, é sobre os relacionamentos que vamos entrar e como você vai ser feliz com outra pessoa e eu vou ser feliz comigo mesma porque só eu me basto, é sobre as birras que eu vou fazer e a forma como você vai resolvê-las me fazendo cócegas até porque era tudo uma brincadeira; é principalmente sobre o amor que nunca vamos viver porque não estamos propícios a ficarmos juntos e esta tudo bem. Esse texto também é a forma que eu encontrei de tirar tudo isso do peito e transformar em arte, uma arte que você se interessou e fez questão de ler - coisa que nenhum outro já fez, é a forma que eu decidi usar para me desvincular dessa memória que mexeu comigo de um jeito surreal, o seu sorriso mexeu comigo de um jeito surreal, garoto. Esse texto é aquela poesia que nunca irá atingir seu campo de visão, as palavras passarão longe de serem lidas e entendidas por você - uma forma injusta e necessária, já que você não pode sonhar que te escrevi, mas injusta pela forma como você amou as outras poesias e iria amar saber que você fora mais uma vitima delas, você nunca saberá que fora tão importante assim para mim a ponto de eu te transformar em arte. Seu sorriso ainda vai me tocar pelos cantos numa dessas tardes em que o uniforme cai bem em meu corpo e eu ainda vou ser pega pensando em tudo o que nos poderíamos ter sido, mas que nunca seremos, você ainda vai se pegar envolvido pelo mistério que eu sou e eu ainda vou ser pega mais uma vez sorrindo enquanto você me abraça e fala sobre outras garotas, nós ainda vamos ser pegos juntos tirando sarro um do outro, mas nunca vamos ser pegos como um desses casais que encontramos por aí naquele pátio e eu ainda vou negar muito a qualquer pessoa que venha me perguntar se você conseguiu cativar esse furacão que eu sou e eu vou passar por você bagunçando tudo porque eu sou ventania e ninguém nunca para o vento e quando você for perceber eu já terei ido em busca de um quase amor novo para registrar nas minhas linhas.

- Geovana Barros

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