Acaso

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Detesto quando dizem que já está tudo escrito, detesto. Essa ideia de destino não entra na minha cabeça. "Se for pra acontecer...", sério? Deixar qualquer coisa que você queira de verdade na mão do destino, não é só uma grande bobagem, mas também uma preguiça tremenda. Se querem pensar assim, tudo bem, mas ninguém me tira o acaso, e ninguém arranca as minhas vontades. Posso acordar amanhã e não escrever mais sobre ela, mas isso não está programado, pode ser ou pode não ser. O motivo pode ser um esbarrão na ruiva do metrô (sempre tem uma ruiva no metrô), que perguntou o meu nome, depois que eu pedi desculpas. Posso tropeçar num cajueiro e lembrar da minha vó, e o caju passar a ser a minha fruta preferida. Posso sair essa noite e me apaixonar; uma, duas, três, quatro vezes! Não é o destino, sou eu e a minha vontade de ir pra rua arriscar. Posso também ficar em casa assistindo trailers, sem escolher filme nenhum, diminuindo todas as chances de conhecer alguém. Eu não sei, ainda não decidi, e essa é a graça. Esse futuro certo a gente espera sentado, sem frio na barriga. Já o acaso pede que você se movimente, durma tarde e não espere certeza nenhuma em troca, porque pode ser hoje e pode não ser. Já dizia aquela cantora paraibana, "Se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada". O destino que me desculpe, mas o acaso é a parte mais divertida da vida.

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