Porta

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Assim que passou pela porta, deixou de querer. Era esse o seu poder: ter o desejo nos calcanhares. Na manhã seguinte tomaria café sem ninguém nos pensamentos. Conhecia o sentimento apenas desse jeito, surgindo como um furacão, despertando do céu dele para o céu do outro. Por vezes, restavam apenas os destroços. Em alguns momentos culpava-se pela resiliência. Em outros, agradecia. Somente não gostava quando os amigos duvidavam do sentimento, que se mostrava passageiro. Defendia-se dizendo, que naquele momento, naquele exato momento, havia uma certeza do que preenchia o corpo. "Era amor, e é esse o nome que eu vou dar. Depois que o tempo passa e percebemos ser outra coisa, corremos para mudar o nome. Mas era amor. O sentimento é dono do seu próprio tempo. Naquele momento, naquele exato momento, havia uma certeza".

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