Desembrutecer

- 20:00 ❞

Para todas as pessoas que ergueram
muitos escudos pra se protegerem

é um processo lento
desembrutecer

Exige que você abra as portas
e deixe escorrer o gosto denso do passado
seu trauma não diz mais seu nome
mas você segue abraçando a escuridão
porque acredita que só ali pode caber
deixe escorrer, agora e novamente

Repita:
o afeto também
me pertence

Muita gente vai te questionar
perguntar o porquê desses tantos freios
pra se dividir, pra confiar, pra fazer da entrega
crescente e constante
coração não desaparece
regenera, pede prece e paciência

Repita:
o afeto também
me pertence

A noite é pesada, eu sei
a madrugada come seu fôlego
você desconversa quando perguntam se está tudo bem
acredita que cura são os muros
quando na verdade cura é desmoroná-los
nem tudo que cai é sinônimo de choro
às vezes é fúria de mudança
você precisa permitir essa queda
porque você foge até dos seus próprios passos
e você tem deixado um legado tão bonito
no mundo, sabe?
olhe rapidamente para o seu corpo agora
não busque significados
acenda o sol sem questionar seu brilho
faz mais sentido assim

E repita:
o afeto também
me pertence

Esse poema não é sobre ferida
é sobre sonho
é sobre se estranhar
já que faz tempo que você não se vê
você sabe que no fundo
queria conseguir não se nutrir
somente de redomas
há muitas maneiras pra ser aço
e há muitas outras pra ser rio
ou areia, ou vento, ou lua
esse fogo que sobe as entranhas
não se chama desespero
se chama vida
ela ainda está aí
e está devolvendo
tudo aquilo que é teu

Repita:
o afeto
sou eu.

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